Twimatéria na Revista Psique

A Revista Psique Ciência e Saúde trouxe na sua edição No 48 uma matéria sobre o Twitter com o título ”Em que Matrix Você está?”.

De imediato, a pergunta já incomodou. A questão deixa implícita a existência do Twitter como um mundo paralelo?

Mais adiante, existe uma contradição quando Eduardo Honorato, autor do texto, diz que a “Cibercultura adentrou a vida sem pedir licença. Assim foi antes com a TV, a Internet entrou nas casas, dominou hábitos, mudou costumes…”. A comparação com filme se torna ainda mais confusa, não foi Neo que escolheu pelo conhecimento?

Durante todo o percurso, o autor faz a separação do real e virtual de maneira pífia. Primeiro, usa a palavra “virtual” para indicar o que acontece nas redes sociais da internet, e o “real” para indicar o mundo fora do virtual. Um erro gravíssimo para quem pretende entender os fenômenos das mídias sociais.

Ora, não é de hoje que pensadores respeitados como Pierre Lévy vem propondo a reflexão sobre a comunicação “virtual” no contexto de ligações sociais mais amplas e não distintas. E se ainda não concordar com as teorias de Lévy , que levasse em consideração ao menos o posicionamento do também filósofo Jean Baudrillard que se opunha às idéias do primeiro, enfatizando que o “virtual caracteriza-se por não somente eliminar a realidade, mas também a imaginação do real, do político e do social…”

O que não pode é escrever um texto tratando o entendimento sobre o real e o virtual como algo simplório, de fácil concepção, especialmente numa revista voltada para profissionais e estudantes de psicologia que aprendem a refletir desde cedo sobre complexidade da construção de sentidos nas relações humanas.

Eduardo acerta ao afirmar que “o Twitter é a TV interativa do mundo moderno”, quando se refere ao fato de que para os twitteiros as noticias de telejornal são #lastyear total. É a velocidade da informação, talvez sem a qualidade ideal devida a urgente e inevitável quantidade, o que não é novidade desde os tempos do estilo de TV moderna.

No fim, é importante o comentário do autor do texto sobre a importância de estudiosos não “ficarem de fora” desse espaço de pesquisa. “Não deixemos um espaço fértil para a pesquisa e inserção profissional do profissional psi cair no desinteresse da categoria”. Eu poderia usar essas mesmas palavras me referindo aos meus colegas comunicólogos. Vejo poucos refletindo e estudando sobre todas essas transformações que não só influenciam, mas são responsáveis pelo modo como nos comunicaremos no futuro. O futuro que não existe mais porque vai chegar antes de desse texto ser postado no blog.

Quando você o ler, já estaremos em um mundo diferente de quando foi escrito, diferente até daquele que era quando você começou a leitura.

#tenhodito

A matéria da Psique sobre o Twitter foi escrita por Eduardo J.S. Honorato, psicólogo e psicanalista em consultoria particular. Parece que ele “está” no microblog, mas eu não achei.

PS.Outros pontos ainda podem ser abordados na matéria, mas iria demandar um tempo para reflexão e escrita que infelizmente não tenho agora.

PS2 -Na mesma edição da Revista tem a matéria “On-line 24 horas, Globalizados, compulsivos transformam internet em vício”. Vou ler e depois trago notícias.

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